Atualmente, a China caminha para ser uma superpotência Global. É uma potência militar, está se tornando uma potência comercial e econômica, é um dos cinco membros permanentes do “Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas” (ONU) e suas ações tem peso para influenciar a economia de muitos países.
Embora Beijing ganhe mais força no cenário internacional, ela não deseja se tornar uma nova superpotência global sozinha e aposta no Brasil como um de seus principais parceiros no globo, bem como o seu principal parceiro nas Américas.
Segundo Charles Tang*, em seu artigo “A IMPORTÂNCIA DA ALIANÇA BRASIL - CHINA NO MUNDO PÓS – AMERICANO”, publicado no dia 18 de maio de 2009, em chinês, no “International Finance News”**, por ocasião da visita do presidente Lula à China, o governo da China se prepara para apostar na aliança com o Brasil, caso os chineses venham a assumir um papel importante nas relações internacionais. O objetivo é entrar no mundo “pós-americano” com um grande parceiro diplomático e comercial para, juntos, superarem os novos desafios internacionais.
O Brasil tem grande importância também para o futuro do grupo BRIC (“Brasil, Rússia, Índia e China”), pois, atualmente, as relações entre Índia e China ainda estão se desenvolvendo e caminhando para melhores entendimentos e, dentro do grupo, as os dois Estados que mais ganham destaque são o Brasil e a China. Pode-se dizer que o país tem um papel importante na manutenção e no entendimento entre os membros do grupo e ele poderá sair como um dos maiores beneficiados com o sucesso do mesmo.
“Dos quatro Bric, o Brasil é seguramente o que tem maior potencial para se beneficiar nessa corrida conjunta para o Primeiro Mundo. O país tem enormes recursos naturais e a grande possibilidade de desenvolvimento agrícola, em razão de clima favorável e solo fértil. Não enfrenta problemas religiosos, o regime democrático está consolidado e estável, o sistema financeiro é sólido e as instituições são respeitadas. O grande gargalo ainda é a sua taxa de crescimento, resultado de contínuas políticas públicas míopes. Nos últimos seis anos, a economia brasileira acumulou crescimento pouco maior que 15%, muito aquém do crescimento obtido pelos outros três países. A China cresceu 63%, a Índia, 43%, e a Rússia, 41%”, afirmou a economista e consultora Martha E. Ferreira.
O desenvolvimento pacífico das negociações entre os membros será fundamental para chegar ao resultado tão divulgado entre os especialistas econômicos no globo. Estes afirmam que, em menos de 40 anos, o grupo terá um PIB superior a US$ 85 trilhões de dólares. Para com a China, o Brasil, além de um importante parceiro comercial e diplomático, também é uma “peça-chave” para as relações dela com os membros da “Comunidade dos Países de Língua Portuguesa” (CPLP).
Não é de se negar que em tão pouco tempo de relações sino-brasileiras, as duas nações foram apresentando resultados positivos. Resta apenas acompanhar as estratégias do governo brasileiro para conduzir as relações Brasil-China, transformando-as em uma forma de trazer benefícios para o país e lançá-lo como um importante player nas relações internacionais.
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* Tang é membro do “Instituto Fernand Braudel de Economia Mundial”; membro fundador do IPEDE – “Instituto de Pesquisa e Estudos de Desenvolvimento Econômico”; presidente binacional da “Câmara de Comércio & Indústria Brasil-China”.
** Um jornal do “People’s Daily” de Beijing.

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