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POLÍTICA INTERNACIONAL – EVO MORALES CONTINUA TRABALHANDO PARA OBTER CONTROLE TOTAL DA POLÍTICA BOLIVIANA
Atualidades - Análises de Conjuntura
Escrito por Marcelo Suano   
Ter, 23 de Março de 2010 14:00
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No último domingo, dia 21 de março de 2010, o presidente da Bolívia, Evo Morales, declarou acreditar que seu partido, o MAS (“Movimento al Socialismo” / “Movimento para o Socialismo”) alcançará vitória em 90% das prefeituras do país.

Para garantir esta vitória ele tem realizado viagens e visitas aos Departamentos (correspondentes aos Estados, no Brasil), passando por várias cidades, com o objetivo participar das campanhas eleitorais do pleito que se realizará em 4 de abril, para eleger 337 prefeitos. Além deles, serão escolhidos na mesma eleição: 144 deputados departamentais, 1.887 vereadores, 23 autoridades indígenas locais, vice-governadores departamentais e corregedores. Sua atuação, pensando nesta eleição, vem sendo realizada desde o ano passado, enquanto estava em campanha eleitoral para sua reeleição à Presidência da República.

Na época, os analistas já indicavam a vitória que teria no pleito presidencial ocorrido em 2009. Sabedor do sucesso que obteria, passou a se dedicar à campanha para garantir a maioria no Congresso boliviano, onde conseguiu maioria nas duas casas. Em seu discurso afirmava que também investiria na neta eleição de abril de 2010, quando seriam escolhidos os prefeitos das cidades.

O objetivo de alcançar o controle total da Bolívia está sendo executado por uma estratégia geral, que vai além dos planejamentos de governo e vitórias em eleições, graças a uma plataforma eleitoral unificada, sob coordenação central do partido MAS.

Também faz parte o deslocamento populacional, como ocorreu com as famílias das regiões andinas que foram transportadas para o Departamento de Beni, na fronteira com o Brasil, onde Morales tem forte oposição. Neste momento, está procurando canais jurídicos para processar ex-presidentes da Bolívia, como forma de abrir caminho para eliminar as lideranças da oposição.

São três ex-presidentes [Jorge Quiroga (2001-2002); Carlos Mesa (2003-2005); Eduardo Rodríguez Veltzé (2005-2006)] e um ex-vice-presidente, Víctor Hugo Cárdenas (1993-1997).

Todos são acusados por Morales de crimes contra o Estado e serão processados tendo por base uma Lei que o atual presidente boliviano deseja que seja aprovada na Assembléia Legislativa e está em projeto, com o título “Juízos de Responsabilidades”.

Como a maioria no Congresso do país está nas mãos de Morales e seu partido, o MAS, sabe-se que ele será aprovado, restando aos ex-mandatários, acusados, recorrer a instituições de Direitos Humanos dentro e fora de seu país, uma vez que estes estão denunciando que, além disso, não haverá imparcialidade nos julgamentos.

Segundo afirmam, os juízes que participarão dos processos foram nomeados diretamente pelo próprio Presidente (chamado por eles de “o Acusador”) e acrescentam que a nova norma a ser aprovada não lhes dá direito de apelação. De acordo com informações disseminadas na mídia, Morales nomeou diretamente, em fevereiro de 2010, 18 autoridades judiciais, dentre as 26 principais do país.   

Com estas medidas, Morales alcançará o controle político total da Bolívia, uma vez que terá condições de excluir quaisquer líderes que configurem oposição.  Segundo declarações feitas no ano passado (2009) pelo atual mandatário, ele objetiva realizar novas estatizações para eliminar o capitalismo na Bolívia, instaurando o modelo socialista e isso só será possível com a conclusão da desta etapa de controle político.