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POLÍTICA INTERNACIONAL – CHÁVEZ INICIA “OPERAÇÕES PSICOLÓGICAS” VISANDO ELEIÇÕES LEGISLATIVAS EM SETEMBRO
Atualidades - Análises de Conjuntura
Escrito por Marcelo Suano   
Seg, 05 de Julho de 2010 11:30
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O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, está iniciando a execução de “operação psicológica” para controlar e vencer as eleições legislativas que ocorrerão na Venezuela, em 26 de setembro deste ano, 2010.

As crises econômicas e políticas internas afetaram o apoio que o presidente recebia de setores da população e deram munição à oposição para apresentar as falhas na condução da economia e da administração do seu país.

Três pontos estão sendo focados pelo Presidente venezuelano neste primeiro momento:

  1. Decretou a prisão dos empresários Guillermo Zuloaga e Nelson Mezerhane, acionistas da “Globovision”, uma das principais redes de comunicação do país e principal crítica do governo, sendo a rede acusada pelo presidente de ter sido uma das parceiras na tentativa de “golpe de estado” contra ele, em 2002. Os empresários são acusados de roubo. Ambos estão foragidos, seus bens foram apropriados pelo Estado venezuelano e foi emitida solicitação à Interpol (International Criminal Police Organization / Organização Internacional de Polícia Criminal), para que os prendam em qualquer lugar do mundo. Observadores têm acentuado que a medida visa colocar a mídia venezuelana em situação de tensão, para evitar qualquer contraposição ao Presidente e ao partido do mandatário, o “Partido Socialista Unido de Venezuela” (PSUV), que tem total controle do Legislativo, mas vê o crescimento da oposição no país, devido às crises pelas quais á Venezuela tem passado.
  2. Anunciou a prisão de um denominado “terrorista” salvadorenho, Francisco Chávez Abarca, que, segundo Chávez, faz parte do grupo do cubano Luis Posada Carriles. A tese de Chávez é de “magnicídio”, ou seja, “assassinato, de uma pessoa importante, normalmente um político de expressão, com o intuito de criar uma crise e mudar os rumos da história”. A tese tem como fim acusar os EUA e outros inimigos do presidente e do regime venezuelano, com o fim de manter o processo de identificação de um inimigo comum do povo, do Estado e do Presidente venezuelano, que, neste caso, se equivaleriam e propiciariam a mobilização da sociedade em torno do líder do país, influenciando diretamente nas eleições legislativas que serão realizadas daqui a, aproximadamente, três meses.  Segundo nota divulgada, Francisco Abarca foi preso no aeroporto internacional com identidade falsa e a idéia de que tinha por fim o assassinato do Presidente justificaria sua presença nestas condições na Venezuela. A acusação de ser parte do grupo de Carriles reforça a tese, uma vez que este exilado cubano é tido como “ex-agente da CIA, sendo procurado por Cuba e tendo constantemente pedida sua extradição dos EUA, uma vez que, de acordo com anúncios, esteve preso nos Estados Unidos até 2007.
  3. O terceiro foco de atenção de Chávez tem sido a promoção da “Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos” (CELAC), pois o novo Organismo internacional manterá a Venezuela com o status de coordenadora do processo de integração latino-americana. Após o encerramento da reunião ocorrida na última semana*, ficou acertado o papel de protagonista dos venezuelanos neste momento inicial de criação e construção do novo Órgão da América Latina. Ou seja, fica demonstrada a ação da política externa venezuelana em prol da união dos povos do continente.

Analistas têm apontado que a medida, vinda juntamente com a solenidade para depositar a urna funerária que representa os restos mortais de Manuelita Sáenz**, junto dos restos mortais de Simon Bolívar, significa um trabalho de “estética política para mobilização”, uma obra de “arquitetura política”, para arregimentação das massas populares, possibilitada pela construção da imagem de grandeza do seu povo. O objetivo da mobilização é o enfrentamento do inimigo externo comum do seu país e seus representantes internos.

Os observadores acenam ainda que a tendência será de aumentarem as prisões de opositores, as denúncias de que há de movimentos com o intuito de matar o mandatário do país, ou para a desestabilização do processo eleitoral, e o investimento em espetáculos cívicos, buscando catalizar as emoções do povo e assim frear um possível avanço da oposição no Legislativo.

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* Conforme nota postada no Site do CEIRI por Daniela Alves, hoje, às 11h00.

** A quem Chávez declarou ter sido a companheira no amor e na luta independentista da América Latina.