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POLÍTICA INTERNACIONAL – UNIÃO EUROPÉIA DEBATE O PRÓXIMO MOVIMENTO ESTRATÉGICO PARA IMPEDIR O DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA NUCLEAR IRANIANO
Atualidades - Análises de Conjuntura
Escrito por Daniela Alves   
Ter, 02 de Fevereiro de 2010 09:29
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Os “Ministros de Assuntos Exteriores” da União Européia (UE) reuniram-se em Bruxelas, no dia 25 de janeiro, para tratar do próximo movimento do Bloco em relação ao não-cumprimento do Irã às exigências internacionais sobre seu programa nuclear.

No encontro, a França defendeu que a UE deve preparar o processo de sanções contra este país. O secretário de Estado francês para a UE, Pierre Lellouche, declarou após a reunião do Conselho de Ministros que, passados seis anos de negociações, o governo iraniano afirma agora que enriquecerá o urânio em 20%, o que "corresponde a um nível militar".

Por sua vez, a Chanceler alemã, Angela Merkel, alertou que as sanções contra o Irã seriam trágicas "para o povo iraniano". Na linha do argumento de Merkel, o Ministro dos Negócios Estrangeiros da Suécia, Carl Bildt, afirmou aos repórteres que "o instrumento de sanção é muito brusco e deve ser usado com cuidado extremo. Nosso objetivo é levar os iranianos à mesa de negociações para obter uma solução política".

Cautelosa, a “Alta Representante da Política Externa da EU”, Catherine Ashton, ressaltou a necessidade de aguardar um acordo por intermédio da ONU antes da Europa tomar qualquer decisão sobre efetivar as sanções, como está sendo proposto. "Nós só temos que esperar e ver o que sai das discussões do Conselho de Segurança", afirmou Ashton.

O Conselho de Segurança da ONU é integrado por quinze (15) países. Cinco deles são membros permanentes: EUA, China, Rússia, Grã-Bretanha e França, com direito de veto. Os outros 10 membros são rotativos e têm mandatos de dois (2) anos.

Dificilmente se chegará a um acordo no âmbito do Conselho de Segurança, pois o governo chinês, com poder de veto no organismo, tem manifestado sua oposição à aplicação de sanções à Teerã. A China é o segundo maior comprador do petróleo iraniano e quer garantir acesso contínuo a este recurso. Logo, qualquer tentativa de impor maiores sanções ao Irã, por intermédio do Conselho de Segurança, será vetada pelos chineses.

Eles temem que, ao ampliar as sanções, seja gerada grave instabilidade na região do Golfo, prejudicando o acesso ao petróleo e resultando, por sua vez, numa possível alta exponencial dos preços.

É uma conseqüência que prejudicará não somente os compradores de petróleo, mas, também, as regiões pobres de fontes energéticas, como a Europa Ocidental. Além disso, a própria população iraniana sofreria ainda mais com a falta de recursos básicos.

O Irã está localizado numa região estratégica do Oriente Médio, entre o Golfo Pérsico e o Mar Cáspio, onde se encontram as maiores reservas de petróleo e gás natural do mundo. O país dispõe do segundo maior depósito de petróleo, ficando atrás somente da Arábia Saudita, sendo esta sua principal fonte de recursos.

Com a quarta maior produção mundial de petróleo, o Irã coloca no mercado aproximadamente quatro milhões de barris por dia e a venda em estado bruto corresponde a quase 85% do total de suas exportações.

Neste cenário de grande dependência da exportação de petróleo, diversos analistas indicam que os únicos que poderiam sair ganhando com as sanções são os grupos mafiosos, uma vez que se abriria espaço para o contrabando de produtos, assemelhando-se à situação no Iraque de Saddam, sob sanções internacionais.

Apesar das previsões de crise na região do Golfo, que poderia afetar a recuperação da economia mundial, o Senado dos Estados Unidos aprovou, no dia 28 de janeiro, uma legislação que permitirá ao presidente do país, Barack Obama, impor sanções as companhias que exportam gasolina aos iranianos ou os ajudam a expandir a capacidade de refinamento de petróleo.

Para os EUA, as sanções são necessárias para pressionar a República Islâmica a desistir de seu programa nuclear. Apesar das pressões que já sofreu, o governo iraniano afirma que manterá seu programa de enriquecimento de urânio, alegando que ele se presta apenas a fins pacíficos.

Por outro lado, a “Alta Representante da Política Externa da EU”, Catherine Ashton, até o momento, está evitando tomar decisões que possam de alguma forma afetar os planos de reaquecimento da economia européia.

No entanto, ela pressionará ao máximo para conseguir uma solução negociada que tenha respaldo da Sociedade Internacional e, em último caso, ampliará as sanções aos iranianos para evitar que seja desenvolvido um arsenal nuclear nesta República Islâmica.