toggle

Boletim CEIRI por E-mail

Enter your email address:

Delivered by FeedBurner

CEIRI no Twitter

twitter_125x50

Visitantes Online

Nós temos 29 visitantes online
POLÍTICA INTERNACIONAL – AÇÕES NO ÂMBITO CULTURAL PARA APROXIMAR A TURQUIA DA UNIÃO EUROPÉIA
Atualidades - Análises de Conjuntura
Escrito por Daniela Alves   
Qui, 04 de Fevereiro de 2010 09:00
smaller text tool iconmedium text tool iconlarger text tool icon

Istambul é a maior cidade da Turquia e a quinta maior do mundo. Banhada pelas águas do “Estreito de Bósforo”, está localizada exatamente no ponto que separa a Europa e a Ásia. Esta metrópole, que já foi a capital do Império Romano, do Império Otomano e da República da Turquia, foi eleita como a “Capital Européia da Cultura 2010”.

O título de “Capital Européia da Cultura” foi criado pela UE em 1985 para incentivar a coesão dos europeus. As capitais são escolhidas por um painel internacional de treze membros, seis dos quais são nomeados pelo país e sete por instituições da UE. Os candidatos devem preencher três critérios principais: (1) integração de uma verdadeira dimensão européia; (2) reforçar a cooperação entre os países da UE com o apoio do público e (3) destacar o papel da cidade na formação e desenvolvimento da cultura na Europa.

A escolha de Istambul suscitou polêmica e diversos setores europeus indagam se é legítimo ter a capital da cultura européia num país que, apesar de candidato à adesão, ainda não é um Estado-Membro do Bloco.

Em dezembro de 1999, o “Conselho Europeu de Helsínquia” reconheceu que a Turquia era um país candidato à adesão em bases equivalentes às dos outros países candidatos. As negociações para a adesão foram lançadas em 3 de Outubro de 2005 e o longo e polêmico processo de negociação ainda está em curso.

Com a nomeação do primeiro Presidente do Bloco, Herman Van Rompuy, o assunto voltou a ficar em evidência. O ex-premiê belga é conhecido pelas críticas que faz sobre a entrada da Turquia na Europa, e já chegou a declarar que "abrir as portas de um país majoritariamente muçulmano representa uma grande ameaça para os valores cristãos do bloco europeu".

As críticas relacionadas à Turquia no Bloco Europeu centram-se principalmente na questão da “vocação européia”, algo que pode ser observado na própria declaração do ex-premiê belga ao enfatizar a questão religiosa.

Em busca de demonstrar sua “vocação européia”, já no início da década de 50, a Turquia aderiu à “Organização do Tratado do Atlântico Norte” (OTAN), em seguida, ao “Conselho Europeu” e à “Organização para a Segurança e Cooperação na Europa” (OSCE). Além disso, este país chegou a modificar a rotina que envolvia aspectos fundamentais de sua cultura para afirmar sua identidade européia, como, por exemplo: a adoção dos caracteres romanos na escrita; roupas ocidentais; a laicização do Estado, inspirada pela lei francesa de 1905; dentre outras mudanças.

De acordo com o presidente turco, Abdullah Gul, os debates do Bloco sobre a credibilidade da Turquia “refletem a falta de informações dos europeus sobre o país”.

Özgul Özkan Yavuz, diretora de “Istambul 2010”, afirma que “há uma espécie de paradoxo, ainda não somos membros, mas agora somos a capital, do ponto de vista cultural. Acreditamos que este projeto vai ser um grande contributo para a compreensão mútua entre as sociedades”.

Para Egemen Ba???, negociador-chefe da Turquia na UE, a escolha de Istambul como a “Capital Européia da Cultura” é uma “grande oportunidade para a Europa, para entender a Turquia e para a Turquia compreender melhor a UE”.

Acredita-se que os eventos programados poderão contribuir significativamente para o avanço do processo de adesão da Turquia ao Bloco Europeu, ampliando ainda a possibilidade de entendimento entre essas regiões.