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POLÍTICA INTERNACIONAL – AHMADINEJAD FAZ PROPOSTA, MAS COMUNIDADE INTERNACIONAL TEME QUE SEJA APENAS UMA MANOBRA DIVERSIONÁRIA
Atualidades - Análises de Conjuntura
Escrito por Marcelo Suano   
Sex, 05 de Fevereiro de 2010 18:11
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O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad comunicou à comunidade internacional, em especial aos EUA, que aceita remeter o seu urânio para que seja enriquecido em outro país, ao percentual de 20%, de acordo com as normas estabelecidas pela AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica). De acordo com os técnicos da AIEA, este é o índice aceito, pois garante que o enriquecimento está num patamar seguro, não sendo possível usá-lo para fins militares.

O material sairia do Irã, já enriquecido ao percentual de 3,5%, e levado para algum país em que fosse completado o trabalho, retornando quatro meses depois, com todas as vistoriais necessárias. As indicações são de que este urânio pode ser encaminhado à Rússia, à China, ou também ao Brasil, de acordo com o anunciado pelo governo de Teerã.

Ahmadinejad afirmou que, caso os EUA, principais opositores do programa iraniano, e a comunidade internacional não apresentem posicionamentos acerca desta proposta, os iranianos estão prontos para, sozinhos, realizarem o enriquecimento do material nuclear.

Os estadunidenses, apesar de vários especialistas considerarem que se está abrindo um espaço para a negociação, estão reticentes ao que foi declarado por Ahmadinejad, pois, segundo afirmam, a proposta não apresenta nenhuma novidade em relação ao que já foi sugerido, há quatro meses, significando, pelo contrário, um atraso na resposta que o governo do Irã já deveria ter dado. Tem-se considerado que isto não passa de uma “manobra diversionária” (quando se desloca à atenção para um movimento sem importância, escondendo o real objetivo, com o intuito de ter o fator surpresa ao seu favor).

Acreditam que os iranianos estão retomando uma proposta já feita para ganhar tempo neste processo de negociação e já antecipam que a etapa seguinte será debater para onde este material será remetido, o que requererá dilatar ainda mais o prazo, até chegar a um ponto em que eles alcancem o domínio total do ciclo do armamento nuclear, com a intensificação de investimentos (algo que se acredita que será realizado em breve), além dos que até agora foram feitos pelo governo do país.

No momento, o Irã está indiretamente anunciando que já detém tecnologia de foguetes, pois foi divulgado que seu programa espacial está avançado e deseja partir para a construção de satélites artificiais, com a pretensão de colocar três em órbita.

O debate sobre o aumento das sanções internacionais contra o Irã para impedir a continuidade de seu programa nuclear, tem recebido contraposições significativas dentro da Europa (os governos de alguns países europeus são contra para não sacrificar o povo iraniano); na China (que tem relações diplomáticas, comerciais e interesse no petróleo da região, além de relativa dependência do seu fornecimento) e na Rússia (devido às relações diplomáticas, comerciais, estratégicas, além do fato de parte significativa da tecnologia nuclear desenvolvida, ou transferida para o Irã ser russa).

Levando esses aspectos em consideração, o governo iraniano está adotando o comportamento de manter uma postura rígida até o limite do tolerável. Quando sente que é necessário recuar, anuncia que deseja o debate e vai ceder às exigências internacionais, mas somente em alguns aspectos e não em todas as exigências feitas. Assim, quanto mais consegue adiar a decisão da sociedade internacional sobre que postura definitiva será adotada contra si, mais próximo fica de alcançar seus intentos.

Atentos a estes movimentos, os EUA estão deslocando estrategicamente pequenos contingentes e muitos equipamentos militares, principalmente mísseis, para as bases que têm nos territórios dos países vizinhos ao Irã. São os países do Oriente Médio com os quais mantém relações diplomáticas e têm Acordos militares. Com isso, estão deixando o Irã sob cerco, para o caso de alguma necessidade urgente.

Esses deslocamentos estavam sendo feitos sob sigilo, tendo vazado recentemente, embora a lógica da estratégia militar e uma visada sobre o mapa da região já permitissem construir cenários sobre este fato.

Da mesma forma, os países árabes sunitas estão estabelecendo alianças de apoio recíproco, no caso de haver uma guerra contra os iranianos, uma vez que o Irã, por ser xiita, tem se oposto a eles e às suas alianças com o Ocidente.

Os passos do governo iraniano demonstram que precisam de mais alguns anos para controlar a produção de armamentos nucleares e ter meios capazes de lançá-los (não se pode esquecer que aquele que domina a tecnologia para produzir e lançar foguetes com satélites, para pô-los em órbita, também domina a tecnologia e tem capacidade de lançar mísseis com explosivo nuclear, na distância e com a precisão desejadas).

Alguns analistas afirmam que são necessários mais cinco anos para o controle total da tecnologia, mas outros se mostram apreensivos com os indícios de que este tempo pode ser muito mais curto: algo em torno de dois anos. Por essa razão a região vive em situação crítica, com elevada possibilidade de guerra.